Em breve, tratores devem estar trabalhando na pavimentação da polêmica BR-319, no coração da floresta amazônica. Em 13 de abril, o governo Lula lançou quatro avisos de licitação no valor de R$ 1,3 bilhão para pavimentar o chamado trecho do meio da rodovia, valendo-se da lei que flexibilizou o licenciamento ambiental no país. Segundo o governo, as obras devem ocorrer no segundo semestre. “A ideia é iniciar rapidamente, com mobilizações independentes, aproveitando o verão amazônico e avançando o máximo possível”, disse Fabrício Galvão, diretor-geral do DNIT, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na apresentação do projeto, no final de março. Inaugurada em 1976 para conectar duas grandes cidades amazônicas — Manaus e Porto Velho —, a rodovia tem 885 quilômetros e atravessa uma das áreas mais preservadas da Amazônia, que abriga 69 territórios indígenas e 41 unidades de conservação. O trecho intermediário da rodovia nunca foi totalmente pavimentado e, após décadas de abandono, tornou-se intransitável, principalmente durante a estação chuvosa. A pavimentação desse trecho de 339 km vem sendo defendida há muito tempo por moradores, políticos e empresários, que atualmente dependem de aviões ou embarcações para se deslocar na região. No entanto, especialistas alertam que a obra pode aproximar a floresta do chamado “ponto de não-retorno”, transformando-a em um ecossistema muito mais seco e menos biodiverso. “Todos os estudos indicam um impacto monstruoso no desmatamento da Amazônia, abrindo uma nova fronteira violenta”, disse Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, organização que foi à Justiça tentar barrar a obra. No…This article was originally published on Mongabay
Fonte de Matéria – https://brasil.mongabay.com/2026/04/governo-lula-usa-brecha-na-lei-para-asfaltar-br-319-em-ano-eleitoral/








