Uma área de floresta equivalente a quase dez vezes o município de São Paulo (ou 1,4 milhão de hectares) é o que a Amazônia poderá perder nos próximos dez anos com o desmantelamento da Moratória da Soja, pacto voluntário que vetava a compra do grão cultivado em áreas desmatadas. Criada em 2006, a aliança perdeu força este ano com a desfiliação de empresas e entidades do setor. As perspectivas de desmatamento em um cenário sem o acordo são tema de uma nova análise, publicada em julho. Segundo o artigo, a perda adicional de vegetação para a soja até 2036 representaria cerca de 17% da área total desmatada na Amazônia brasileira na última década. Os autores também chamam a atenção para o possível aumento das emissões de gases de efeito estufa: o estudo estima que 745 milhões de toneladas adicionais de CO2 equivalente (MtCO2e) seriam lançadas na atmosfera no mesmo período — uma quantidade semelhante ao total emitido anualmente em todo o território do Canadá, segundo relatórios da União Europeia. A análise aponta que o fim da moratória expõe áreas críticas do bioma à expansão agrícola e destaca a propensão ao desmatamento em terras privadas, onde 9,1 milhões de hectares de áreas aptas ao cultivo da soja poderiam ser derrubados legalmente nos próximos anos, conforme previsto pelo Código Florestal. Os números são ainda mais expressivos em florestas públicas não destinadas, onde mais de 28 milhões de hectares (o equivalente ao território do Equador) “sofrerão pressão adicional decorrente da especulação fundiária”. De…This article was originally published on Mongabay
Fonte de Matéria – https://brasil.mongabay.com/short-article/2026/07/fim-de-moratoria-da-soja-pode-custar-14-milhao-de-hectares-a-amazonia/









