ACARÁ, PA — “Passei a vida inteira trabalhando com açaí. Eu sempre vivi disso.” O relato é de Eliseu Carvalho, de 57 anos, produtor tradicional que cultiva o fruto em uma área de várzea, próxima à casa onde mora, no município de Acará, no interior do Pará. Após um incêndio florestal afetar áreas próximas à sua comunidade, Eliseu passou a reavaliar sua relação com o trabalho. Ele já pensa em abandonar a coleta do açaí para criar peixes. A região onde fica Acará é um dos polos produtores de açaí do estado, concentrando milhares de pequenas produções artesanais em áreas de floresta e às margens dos rios. Em 2024, o município foi afetado por uma temporada recorde de incêndios na Amazônia. Mais de 18 milhões de hectares sucumbiram ao fogo naquele ano, segundo o MapBiomas. A maior parte das queimadas ocorreu em áreas florestais, onde vivem comunidades tradicionais. Eliseu conta que, naquele ano, assistiu às chamas arderem por mais de 20 dias, consumindo quase 30 hectares de floresta perto da sua residência. Segundo o agricultor, a vegetação tipicamente úmida ganhou aspecto seco devido às condições prolongadas de estiagem. “As chamas se espalharam pelas raízes e pela matéria orgânica”, disse à Mongabay. “Nós apagamos as chamas na superfície, mas elas continuaram queimando sob a terra.” O produtor de açaí Eliseu Carvalho mostra suas terras em Acará (PA). Foto: Carla Ruas. Quando os bombeiros voluntários conseguiram apagar o fogo, cerca de 2 hectares de açaizal já tinham ido ao chão. Eliseu estimou…This article was originally published on Mongabay
Fonte de Matéria – https://brasil.mongabay.com/2026/08/monoculturas-de-acai-avancam-em-uma-amazonia-cada-vez-mais-quente-e-seca/





