Projetos de recuperação de 100 espécies criticamente em perigo ou extintas na natureza em todo o mundo receberão novos recursos por meio de uma iniciativa de conservação anunciada no início de agosto.
A Re:wild e o Bezos Earth Fund criaram o Phoenix Species Project e prometeram investir US$ 100 milhões cada uma no projeto, totalizando US$ 200 milhões. Segundo o comitê gestor da iniciativa, cada espécie deve receber entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão ao longo dos cinco anos de duração do projeto.
As 100 espécies, distribuídas por 30 países, já foram selecionadas, mas os valores destinados a cada uma serão determinados gradualmente, à medida que as propostas forem apresentadas, informou à Mongabay o comitê gestor do Phoenix Species Project.
Sete espécies já receberam recursos, entre elas o sifaka-de-coroa-dourada (Propithecus tattersalli), uma espécie de lêmure de Madagascar, e o raro papagaio-noturno (Pezoporus occidentalis), que vive no deserto australiano.
Cinco das 100 espécies são brasileiras. Uma delas é o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), maior primata das Américas e classificado como “criticamente em perigo”. Restam menos de mil indivíduos na natureza, divididos em 14 populações isoladas na Mata Atlântica.
Há também duas aves: a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que passou décadas praticamente desaparecida até ser reencontrada em uma pequena área do Cerrado mineiro, e a saíra-apunhalada (Nemosia rourei), da Mata Atlântica capixaba, com população estimada em menos de 50 indivíduos.
A lista inclui dois anfíbios, de ocorrência ainda mais restrita: o sapinho-da-restinga (Melanophryniscus setiba), encontrado em apenas um ponto do litoral do Espírito Santo, e a perereca-pintada-do-rio-pomba (Nyctimantis pomba), cuja população vive toda à margem de um único rio em Minas Gerais.
Segundo Leah Gerber, cientista da conservação da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, cada espécie desempenha um papel importante na comunidade ecológica mais ampla da qual faz parte. “A recuperação de uma espécie pode gerar benefícios que vão muito além dela própria. Mas esses benefícios dependem muito do contexto; recuperar uma espécie nem sempre leva à restauração do ecossistema.”
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), autoridade global em conservação da vida selvagem, avaliou o risco de extinção de menos de 5% de todas as espécies conhecidas pela ciência. Das 176 mil espécies avaliadas até agora, mais de 31 mil são consideradas extintas na natureza, criticamente em perigo ou em perigo.
“O Phoenix Species Project representa um investimento extraordinário na prevenção de extinções, e fico especialmente encorajada ao ver atenção dedicada a uma ampla variedade de espécies, em vez de apenas às mais carismáticas”, afirmou Gerber.

Imagem do banner: Muriqui-do-norte. Pablo Fernicola, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.





