SÃO SEBASTIÃO, SP – Em frente à casa onde vive há décadas, no bairro Itatinga, em São Sebastião, Cosma da Silva aponta para diferentes imóveis da vizinhança enquanto enumera uma sequência de casos de câncer. “Tem uma mulher ali com câncer. Outra naquele prédio também. Outra morreu ali [aponta]. O pessoal dessa área só morre de câncer.”. Aos olhos de Cosma, o adoecimento faz parte da paisagem do bairro. E ela própria inclui sua família nesta conta. Seu marido, Paulo José da Silva, morreu aos 51 anos, devido a um tumor cerebral. Ela própria enfrenta problemas de saúde e passou recentemente por uma cirurgia para a retirada de um nódulo. Enquanto tenta lidar com as consequências do tratamento –- uma ferida que arde e coça ao lado do peito —, ela continua observando uma sucessão de casos de adoecimento entre parentes, vizinhos e conhecidos. A relação entre esses casos e a contaminação ambiental que marcou a história do Itatinga nunca foi comprovada. Mas também nunca foi investigada da forma que os moradores esperavam. A área onde parte da comunidade foi construída foi utilizada, entre as décadas de 1970 e 1980, para o descarte de borra oleosa associada à atividade petrolífera. Anos depois, o terreno foi ocupado por moradias. Investigações ambientais conduzidas por órgãos públicos identificaram a presença de contaminantes derivados do petróleo no solo e nas águas subterrâneas da região. Ao longo de quase vinte anos, documentos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), do Ministério Público Estadual…This article was originally published on Mongabay
Fonte de Matéria – https://brasil.mongabay.com/2026/07/moradores-relatam-doencas-em-area-contaminada-por-petroleo-no-litoral-de-sp/





