Em uma audiência pública realizada em setembro de 2021 em Manaus, Philip Fearnside leu uma declaração preparada para apresentar seus argumentos contra o reasfaltamento da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Ele classificou o projeto como economicamente inviável, afirmou que o processo de licenciamento no Brasil era falho e alertou que a estrada provocaria um desmatamento “catastrófico”. A plateia começou a vaiar. Fearnside tentou seguir falando, em seu português com sotaque americano, por cima do barulho, até que alguém cortou seu microfone. Depois dele, falou Sérgio Kruke, do Movimento Conservador Amazonas, aliado declarado do então presidente Jair Bolsonaro. Kruke apontou para Fearnside e perguntou que direito um americano tinha de dizer aos brasileiros o que fazer com sua terra. Acrescentou que os brasileiros tinham o direito de derrubar todas as árvores da floresta, se assim quisessem. A plateia aplaudiu. “Esta casa é nossa!”, gritou Kruke. O clima foi completamente diferente no início de agosto no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Durante duas horas, pesquisadores e ex-alunos realizaram um evento em reconhecimento aos 50 anos de pesquisa de campo de Fearnside na Amazônia, trabalho que fez dele uma das principais autoridades científicas sobre a maior floresta tropical do planeta. O climatologista Carlos Nobre falou sobre como conheceu Fearnside no Inpa nos anos 1970, antes de sua própria carreira na área de estudos do clima decolar, e sobre a colaboração dos dois em medições pioneiras das trocas gasosas entre floresta e atmosfera. Susanna Hecht, professora da Universidade da…This article was originally published on Mongabay
Fonte de Matéria – https://brasil.mongabay.com/2026/09/philip-fearnside-completa-50-anos-de-pesquisa-na-amazonia/






